Escrita

Aconselhamento ou mercado de peixe?

Trabalho com tarô há mais de 20 anos. Trabalho duro. Tanto no sentido de atender, dar aula, escrever, prestar consultoria para quem deseja se atualizar; quanto no sentido de propagar formas mais humanizadas de usar o tarô. Como assim?

Quando proponho um uso humanizado sugiro simultaneamente uma proposta menos mágica. Isso porque está cada vez mais difícil trabalhar com o tarô e não é de hoje. Meu trabalho já é tido como informal, como exótico, como coisa de quem não tinha mais nada para fazer da vida ou até como coisa de quem adivinha futuro dos outros enquanto toma uma cafezinho. Veja bem, o que faço não é absolutamente nada disso, por isso cheguei ao ponto de começar a propagar uma nova conduta em relação ao tarô. Uma conduta mais séria, menos carregada de misticismos e que fosse acessível àquelas pessoas que não estão a fim de serem atendidas por quem use turbante ou alguém que resolva todos os problemas na base da simpatia (leia-se magia).

Não me venha dizer que não é uma luta digna, por favor. Há espaço sobrando para quem se fantasie e para quem jogue em “lives” do Facebook gratuitamente. Há espaço para quem joga tarô a partir da data de nascimento do cliente (?) e também há espaço para quem pergunta sobre o signo do parceiro (?). Mas perceba: há pouco espaço para quem quer analisar as cartas sem precisar se fantasiar, nem adivinhar o futuro ou misturar assuntos prometendo seu amor de volta. Simplesmente quase não há espaço. Então, oras bolas, fui buscar esse espaço de forma honesta, sendo franca e explicando que não, não sou adivinha, nem uma mulher super poderosa tampouco uma bruxa dos tempos da inquisição. Fui estudar, me relacionar com outras áreas de conhecimento e achar meios de trabalhar do meu jeito. Não é que eu queira “engessar o tarô”. Na verdade quem diz isso fica super mal na foto, porque estudo não é gesso. E quem diz isso mostra não apenas um fundo de recalque como assina um atestado de alguém que despreza/ignora a importância dos estudos (portanto, um ignorante). Mas Kelma, o tarô é místico!

Então, pelo amor da minha saúde mental, entenda. Não, o tarô não é místico. Tarô surgiu como um jogo de azar, com objetivo lúdico, além de ser linguagem visual (portanto, trata-se de arte, inclusive porque era feito por artesãos). Tarô se tornou possibilidade oracular no século 18 (!). Isso significa que quatrocentos anos DEPOIS de seu surgimento o tarô se tornou ferramenta oracular. Sabe o que isso significa? Que não, tarô não é místico. Nem vou esticar aqui a explicação sobre o surgimento do termo místico, ficaria um texto gigantesco e hoje temos quantidade limitada de caracteres se quisermos ser lidos. Por isso, se contente com o fato de que tarô não foi inventado para ser usado por pessoas mágicas e poderosas que adivinham futuro. Dessa forma, eu posso sim usá-lo como um conjunto de imagens que permitem associações, analogias e estudos imagéticos na busca por aconselhamento e não querer fazer um show de mágica. Se eu tenho algo contra quem usa o tarô com cunho mistificado? Não. Mas tenho muita coisa contra quem ME etiqueta como alguém que corta o barato dos outros porque propago por aí que quero praticar tarô de forma civilizada.

Aqui chegamos ao cerne da questão. Grande parte do preconceito que todos sofremos, enquanto tarólogos, está na própria maneira que a maioria pratica o tarô. Enquanto o tarô for enaltecido como cheio de magia, de promessas, mesclado a elementos místicos , não haverá como querer que o público entenda a imagem das cartas com naturalidade. Enquanto a gente se fantasiar, a gente será tratado como uma mentira. Não tem muito segredo. Por isso, pergunto: o quanto colaboramos para carregar ainda mais a imagem de picaretagem à nossa profissão? São as pessoas que são preconceituosas ou nós, que para vendermos nosso peixe, reforçamos as fantasias que depois não se despregam do imaginário social? Creio que seja um serviço a quatro mãos o da construção distorcida a respeito do tarô.

O cerne é esse: você colhe o que semeia. Se semeia um tarô mistificado, será sim visto como enganador. Uma pena, mas é assim que funciona. Nada contra sua opção, mas então enfrente-a com tudo e não reclame do preconceito, da discriminação, da grana pouca. Porque junto dessa prática mistificada vem mais um tanto de gente que nunca estudou e também vai pegar seu quinhão, ou mesmo atender sem cobrar dizendo que seu dom é divino, afinal não é uma prática informal? Então pense, pense o que você está semeando antes de reclamar o que vem colhendo.

Quanto a mim, sigo em meu caminho. Prefiro sim o estudo, prefiro a pesquisa, prefiro o agendamento, prefiro a aula, prefiro a programação do conteúdo da aula, prefiro o aconselhamento.  Respeito o que faço e respeito quem atendo ou ensino. Estou semeando isso, sei muito bem o que desejo colher. Só que, até chegar onde pretendo, terei que lidar com os revezes, os dedos apontados, os olhos virados. A postura clássica de quem não quer ter tanto trabalho na própria profissão, a postura indolente de quem me enxerga como uma pessoa que engessa algo que deveria ser livre.

Sigo meu caminho. E deixo a pergunta aqui: e você, está semeando o quê?

Kelma Mazziero

 

 

A decepção faz parte da vida. Lide com ela.

2016 foi um ano que colecionou pragas, reclamações, xingamentos e lamentos. Foi um ano tenso, difícil e especialmente aqui no Brasil foi um ano crítico. Muitos esperavam que num passe de mágica, movido a horário de verão, tudo se modificasse com a chegada de 2017. O ritual é legal, a celebração também, mas creio eu que a própria virada de ano seja um bom exemplo para se compreender como é difícil lidar com a decepção. Todo mundo foge de ser decepcionado, faz de tudo para evitar, porém continua alimentando ilusões que chegarão exatamente ao mesmo ponto que tanto temem. Decepção envolve muito mais do que apenas saber perder uma batalha ou fracassar. Decepção envolve saber sobreviver, superar e entender como se alimenta uma perseverança sem parecer alguém iludido e exposto gratuitamente ao sofrimento.

Comece enxergando a realidade. E realidade aqui não envolve emoção, portanto, esqueça otimismo ou pessimismo, escolha realismo. Se vivemos um ano complicado em 2016, traremos no mínimo para 2017, um tanto de decepções para nos ensinar. Por isso, virar o ano achando que contagem regressiva (em pleno horário de verão) vai resolver tudo é a primeira coisa a não se fazer. Claro, comemore, curta, se alivie e use esses dias de descanso para justamente se preparar. Se houve perda, dívida, sofrimento, é preciso que haja superação e essa virada pessoal (não anual ou cronológica) requer que abrace as decepções para lidar com elas. Sim, deixá-las do tamanho que são, nem maior e nem menor. Saber que fazem parte da vida, que fugir delas é incorrer no mesmo erro, porque é pura ilusão achar que tudo vai deixar de ser difícil imediata ou magicamente. Sejamos maduros, sejamos adultos. Legal ter fé, claro. Mas acreditar em conto de fadas é ingenuidade. Querer que o outro seja legal faz parte, mas querer que o outro seja alguém que nem eu consigo ser é ilusão. Acreditar no outro faz parte, achar que o outro é infalível é ilusão.

Por isso começo 2017 aqui falando de algo que vejo todo mundo evitando: a decepção. Fuja dela e conseguirá mais tantas outras decepções instantaneamente. Lide com ela e talvez consiga superar aquelas que te machucaram ano passado para estar mais forte ao encarar as que estão por vir, afinal, como já falei elas estão aí e fazem parte da vida. Na Numerologia é ano 1, ano de começar, então nada melhor do que zerar antes para dar um novo passo (quem sabe um passo mais maduro e consciente?). No Tarô para alguns é ano da Roda, de sobes e desces, de altos e baixos, solicita a mesma capacidade de entendimento para aceitar os revezes não fugindo deles; para outros é ano da Estrela, conhecida como a carta da ingenuidade e da perseverança (lembra que escrevi acima a respeito de ambos os conceitos? Pois é, perseverança sim, ilusão ingênua não!). Na Astrologia será ano de Saturno, o planeta que ensina com peso, amado e temido. Percebe como não tem muito como fugir da dança da vida? Não, não tem.

Na busca pela felicidade vale quase tudo, eu sei. Mas hoje há dois tipos de felicidade: aquela que a gente sente, rarefeita, passageira e a felicidade que a gente escancara nas redes sociais, menos real, que alimenta ilusões. Então, cabe a nós trazermos para cá, juntinho, as decepções reais a fim de decifrar cada uma delas para entender, assimilar, quem sabe superá-las. Assim elas servirão para alguma coisa, manterão nosso olho acirrado, evitarão ainda mais surpresas desagradáveis. Viver bem, viver de fato, viver mesmo de verdade é bem menos feliz do que se tenta mostrar através das conquistas virtuais. Viver requer realismo. Por isso, viva sem medo, não se iluda, viva por inteiro. Não feche a porta do ano anterior como se ele fosse um armário abarrotado de coisas, feche depois de organizar tudo, com alívio. E traga consigo suas decepções, pois elas lhe serão muito úteis. Assim como o dinheiro, o trânsito, os megalomaníacos, as demissões, as vitórias… a decepção faz parte da vida. Lide com ela.

Bom ano a todos 🙂

dicas-para-um-2017-mais-suave

 

O ego e o maior problema de todos

Passar por uma consulta de Tarô requer humildade. Sim, a humildade é um requisito primordial porque antes de tudo é preciso estar aberto a receber orientações de alguém, e, num segundo momento é preciso ser humilde para admitir que seu problema tem solução.

A vida contemporânea dificulta para convivermos com o ego devidamente controlado, afinal de contas, hoje tudo é competição, comparação e empreendedorismo (até o casamento e os filhos passam por esses estágios). Tenho que ser a melhor profissional, a melhor amiga, a melhor esposa, a melhor mãe, a melhor faxineira, a melhor filha, a melhor em tudo ou qualquer coisa. E claro, tudo isso é pontuado usando padrões externos como referência, ou seja, outras pessoas que estão fazendo mais sucesso que eu. Então me comparo, compito e empreendo nessa busca de superação constante. A vida virou um ranking, um placar de pontuação, um manual certinho para registrar em redes sociais. Com isso as pessoas foram adquirindo ares de super poderosas, perdendo completamente o controle de seus egos.

Isso nos traz ao tema de hoje: problemas sem solução. O problema do egoísta, ou do egocêntrico, é sempre o maior problema de todos. Maior e pior. Nunca tem solução e nenhuma saída serve. Porque, claro, meu ego precisa carregar consigo um trunfo: o problema mais cabeludo de todos, o dilema insolúvel, a encrenca que milagre algum pode dar jeito. Conselho nenhum aqui serviria porque ninguém pode ajudar aquele que tem um problema acima da média.

Muitos dizem que problema não se compara, uma vez que cada um sente sua dor à sua maneira, mas isso não é verdade. Não basta chorar mais alto para garantir que o cancelamento da manicure seja pior que estar sem plano de saúde em tempos de crise. Para isso chamamos o bom senso e a capacidade de relativizar as coisas, encontrando assim, uma forma de entender que problemas fazem parte da vida e justamente por isso pedem saídas, soluções e superações.

O grande salto é abandonar a necessidade de problematizar ou aumentar a intensidade de tudo para conseguir viver a vida normal, de quem tem problema e os enfrenta, sabendo que não se é melhor (ou pior) que ninguém por isso. A vida já é difícil, imagina se a gente colocar ainda mais drama nela, como ficaria? Pois é, ficaria como está atualmente.

Nesse contexto é que costumo respeitar e admirar muito meus clientes e alunos. Quando eles procuram um apoio, uma luz ou uma orientação estão permitindo que o ego desocupe o controle de suas vidas e para permitirem que alguém trabalhe em cima de suas verdadeiras prioridades e necessidades. Buscar orientação é acreditar que a vida pode ser simples, jamais simplória, estando disposto ou disponível para encarar os caminhos que dependerão exclusivamente das decisões dessa mesma pessoa.

Buscar conselho, portanto, não é fraqueza e nem superstição. Buscar conselho é humildade e vontade de avançar em direção à própria vida. Assim como escreveu Nietzsche: “Este mundo é a vontade de poder [potência] – e nada além disso! E também vós mesmos sois essa vontade de poder [potência] – e nada além disso!”. Como vê, não cabe ego aqui, mas sim, cabe viver a vida como ela é. Dessa forma as orientações serão pontos de luz em seu caminho e jamais o atestado para problemas insolúveis que te iludem a respeito de uma auto importância destrutiva.

Abraços 🙂

Kelma Mazziero

 

 

O Tarô estereotipado

“Kelma, por que você não escreve sobre Tarô?”.
“Porque eu já escrevo, só não crio estereótipos”.

Esse diálogo se repete com frequência em minha caixa postal, mensagens de Facebook e nos fatídicos encontros sociais. Existe um fator introdutório nessa questão que é a tendência natural do ser humano sempre buscar aquilo que não tem e reparar no que falta, preferindo não valorizar o que já existe. Como por exemplo darmos valor à vida quando perdemos alguém que amamos, sentir falta de quem se ama quando está longe, criticar um ator de comédia porque deveria fazer drama e vice-versa. Indivíduos aprendem com a falta, não com a presença. Em meu caso, se eu escrevesse só sobre Tarô, seria requisitada certamente para falar sobre outra coisa. O fator essencial, além do introdutório, é que sou daquelas que acredita que o Tarô se vive, não se estereotipa. É claro que aprendi Tarô de todas as formas, desde a intuitiva até as mais técnicas, mas chegando ao 20 anos de profissão percebo que a esquematização é erro duplo: fere quem estuda e fere quem é analisado pela leitura semi-pronta.

Escrever sobre esse Tarô didático costuma servir mais para meus colegas ou concorrentes do que para meus clientes e seguidores. A função é limitada, porque se eu enfatizar a parte fria da carta da Justiça, estarei restringindo todo o processo vivenciado pelo consulente e direcionando o aluno para o “decoreba”. É comum o consulente fazer uma consulta de Tarô e depois tirar dúvidas no Google. Semelhante a uma consulta médica, na qual obtemos prescrição de um anti-inflamatório e após lermos a bula no Google decidimos não tomar(um erro, mas acontece). No Tarô é usual o aluno/aprendiz perguntar por que o Imperador é do elemento Terra e do signo de Capricórnio, já que ele leu num Site famoso esses dados, então supõe que seja verdade.

Quando rejeitamos a prática e vivemos na teoria, saímos da realidade. E só jogando, atendendo, estudando, praticando veremos que existem inúmeros Eremitas soltos por esse mundo de meu Deus. Milhares de Papisas e Magos, cada um em sua história, e consequentemente impossíveis de serem comparados. A fenomenologia explica, pode crer. Junte o aspecto fenomenológico com a história de vida de cada um e verá que estereotipar pode ser um empobrecimento sem retorno. No famoso seriado Downton Abbey, durante um diálogo entre personagens sofridos, surge a frase: “Não somos nós que mudamos, é a vida que muda a gente”. Eis que o empirismo se mostra em todo o seu esplendor esclarecendo que cada um tem sua experiência e sua trajetória. Não é possível catalogar algo que demanda impressões digitais diversas.

É por esse motivo que não escrevo “sobre Tarô”. Escrevo sobre a vida, que contém os símbolos do Tarô e esses símbolos dançam em cores diferentes, a cada episódio. Conto uma história com cara de Torre, relato um fato com cheiro de Julgamento, critico um comportamento típico da Estrela. Mas nada disso vai encerrar o conhecimento simbólico, que é algo inesgotável. Assim temos as cartas embaralhadas num método e descobrimos as mais variadas possibilidades. Combinações que jamais se encerram. Não dá para escrever “sobre Tarô”. Não é possível definir que o Mundo é bom ou ruim, porque o seu Mundo pode ser ótimo e o meu pode ser uma verdadeira catástrofe. Sua Torre pode doer, a minha pode libertar. Variações. Fenomenologia. Empirismo.

Não espere de mim setas nem definições fechadas. O único livro que escrevi até hoje sobre o Tarô reúne artigos inspirados pelas cartas em eventos cotidianos. Exemplos, alusões, desafios. Nada de definição. É claro que graduados e graduandos torcem o nariz para meu estilo informal, me definindo como alguém que pretende (portanto pretensiosa) escrever sobre comportamento sem ser psicóloga/jornalista ou filósofa/socióloga (portanto também incauta). Rotulam como autoajuda sem saber diferenciar autoajuda de autoconhecimento. Mas a realidade é sempre mais simples do que se pressupõe. A realidade nesse caso mostra que Tarô e a arte de viver se entrelaçam e não há como viver qualquer experiência sem que ela esteja impressa em vários momentos de cada carta, consciente ou inconscientemente. A verdadeira presunção incauta é a expectativa de enclausurar uma alma dentro de uma pequena caixa de prata. Viva e aprenda, o Tarô está em tudo, não é preciso denominá-lo para que ele exista.

Abraços 🙂

Kelma

aUTOAJUDA NÃO É AUTOCONHECIMENTO

 

Quando a convicção fere o mundo ao seu redor

Está na moda ser sincero. Está na moda falar o que se pensa. Está na moda agir de maneira narcisista e dizer que a dor dos outros não é problema meu. Está na moda também reclamar e exigir os próprios direitos. Está na moda ser ácido, desconfiado, distante. Está na moda comprovar uma relação antes de se envolver nela. E está na moda ter convicções. Essas surgem aos montes e são a maneira mais eficaz de blindar alguém contra mágoas, dores ou influências externas. Como se me deixar influenciar ou me permitir aprender com os demais fosse quase um crime.

Só tem um problema nessa história toda. Esse comportamento, que comporta todas ou várias das descrições acima citadas, gera uma solidão imensa normalmente cercada de uma imagem de liderança, de sucesso e dinheiro que deveria anestesiar a infelicidade. Mas solidão é solidão em qualquer tempo. Aqui não falo da solidão apaziguadora que faz bem e renova a gente. Falo da solidão doída, imposta, a sensação de que não caibo em lugar algum desse mundo. Quando essa emoção surge e a percepção de isolamento fica clara a gente então percebe que está fora do mundo. Nada encaixa e ninguém se adapta à nossa vida. É nessa fase que criamos as frases de efeito, afirmando que o mundo está errado, a gente é que está certo. O mundo é um lugar ruim, eu é que sou bom. Não tem quem mereça minha companhia e não há lugar melhor para ficar a não ser dentro de mim mesmo. Resumindo: tenho tudo e não tenho nada.

Quando o mundo está errado e não me encaixo ou nunca estou satisfeito, a solidão se torna o único caminho… esse é o sinal de que está na hora de rever minhas convicções. Essas convicções aprisionam, tolhem e magoam quem estiver ao meu redor. Quando minha teimosia fere a sugestão do outro, quando minha insistência afeta a paz do outro, quando meu inconformismo exaure os demais, quando o que eu quero tem que acontecer custe o que custar… a coerência já ultrapassou o limite. Pensemos em quantas vezes alguém teve que nos convencer de algo. E teve que insistir e parar a própria vida para fazê-lo. Pensemos também em quantas horas foram gastas na tentativa de ter a mínima conexão com alguém. Pensemos uma coisa simples: alguém ao redor fez algo efetivo que desse motivo para se tornar suspeito? Se fez, o que essa pessoa ainda faz aí? E se não fez, estaria essa pessoa pagando pelo erro de outro?

Minha afilhada tem uma frase tatuada no braço que diz: “Convicções são cárceres”. Isso acontece quando deixamos de viver para servir às nossas convicções e nos curvar a conceitos muitas vezes cimentados em base de medo, receio e dor. Se a dor serviu para algo que não uma lição, essa dor ainda mora em você, fez um ninho e virou convicção. Uma coisa é ter opinião e saber o que se quer. Outra coisa é tornar a vida própria -e alheia- um inferno por conta de conceitos, ideias e as benditas convicções.

Para finalizar fica a experiência como suporte àqueles que sofrem com as convicções dos outros. Porque quem tem as próprias convicções e não as abandona não percebe que é um prisioneiro. Mas quem tenta estar por perto do ser convicto, muitas vezes, sofre por não sentir condições -nem vitalidade- de insistir o quanto talvez seja necessário. Se o mundo está errado, repense suas convicções, talvez você seja o ponto de cristalização e o medo de viver pode estar te privando de aprender com a vida. Ninguém está isento de sofrer, de ser enganado, de ser ludibriado ou abalado. Mas todos podem viver e aprender com a vida.

Kelma Mazziero

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