Leitura

Conselheiros mimados

É comum a polarização em quase tudo na vida contemporânea. Se a gente prestar atenção vai perceber que na política é quase obrigatório escolher um lado, na vida familiar e social também, além de enfrentarmos isso nas coisas mais sutis. Essa busca pela escolha de um lado ou a necessidade de se posicionar unilateralmente acontece porque queremos nos sentir numa zona segura do cotidiano. Polarizar dá a sensação de conforto e de assentamento. É como fugir da realidade de uma maneira politizada. Melhor ainda, é como ter a ilusão de que tudo na vida é passível de escolha e, portanto, dá para identificar amigos e/ou inimigos a partir das semelhanças e/ou diferenças. Se sou bom, então não sou mau.

Esse comportamento gera certa dificuldade em compreender as sutilezas da vida. Dificulta também o respeito ao outro. É um comportamento que alimenta indivíduos mimados que não dão conta de lidar com qualquer tipo de rejeição. Perdemos, portanto, a capacidade de conviver com as diferenças ainda que estejamos em tempos de intenso acesso à informação. A posição cômoda de “achar seu grupo ou sua tribo” cria intolerância com a diversidade, atrapalha o pensamento questionador, bloqueia a reflexão e coloca todo o foco da vida nos próprios desejos. Retrocedemos, então, à infância onde a questão toda da vida gira em torno do próximo brinquedo.

Tempos que nos alertam, enquanto tarólogos, para o estudo e aprofundamento das questões intrínsecas e dos temas que amalgamam o “bem e o mal”. Afinal, basta ter superado a adolescência para saber que separar tudo em duas caixinhas, a do bem e a do mal, é perigosíssimo. Como fazer com a mãe que é legal, mas não me deixa jogar tudo para o alto, ela é boa ou má? Como fazer com o parceiro que me dá carinho, mas me mostra meus piores defeitos em momentos de fragilidade, ele é bom ou mau? Sendo assim, quando adentramos a vida adulta entendemos que certo e errado podem estar num mesmo tema (ou pessoa) se tornando inseparáveis. Não falo aqui de relativizar coisas óbvias, mas sim, de conviver com as nuances que estão caindo em desuso a cada dia que passa.

O tarólogo que não entende isso vira um tirano. Normalmente somos pagos para orientar e dar conselhos (e aqui nem vou me infiltrar nos tarólogos que não cobram pela atividade, isso é outro assunto). Porém, o tarólogo que não entende que seu trabalho é analisar o símbolo, interpretar a carta num jogo e dar ao consulente a prerrogativa de usar aquele conselho (ou não) se torna um profissional autoritário que exige que o outro faça tudo como o jogo determinou. Como assim a pessoa me procura, me pede ajuda e não faz o que eu falei? Por que alguém solicita orientação e depois segue por outro caminho? Quem a pessoa pensa que é para ocupar meu tempo e não seguir o que eu disse?

A resposta é simples. Se o profissional enxerga seu conselho como algo pessoal, então, sim ele vai ficar esperando que o consulente faça o que ele “mandou”. Contudo, se o profissional entender que o consulente está pagando pelo serviço e está usando o livre arbítrio na hora de resolver o que precisa, surgirá a compreensão de que o destino do outro não está nas mãos do tarólogo. E jamais deveria estar.

Tarólogo deve entender o limite de sua atuação e lidar com isso. Não deve exigir que o consulente faça as coisas à sua maneira nem esperar coisa alguma. Sua função é analisar/interpretar o jogo. A função do consulente é ouvir (ou não) e seguir a própria vida tomando as decisões como julgar melhor. Se não houver esse entendimento o tarólogo somente se permitirá aconselhar quando souber que o consulente fará o que ele determinou (e então, não é relação profissional, é relação de subordinação emocional). E, além disso, reclamar ou se queixar porque o consulente sempre faz “a coisa errada” também denotará imaturidade emocional.

Cada um tem sua identidade e seu estilo. Não apenas o tarólogo tem sua maneira de trabalhar como o consulente tem sua forma de lidar com esses conselhos. No entanto, o que a pessoa fará com o que foi lhe oferecido é problema dela. Do contrário estaremos ferindo o direito mais básico que o Tarô nos permite conhecer, o direito ao livre arbítrio. Lembre-se: o aprendizado do cliente é lidar com o problema ou amadurecer nele, o nosso aprendizado enquanto profissional é respeitarmos o que for definido sem nos envolvermos na situação. Enquanto houver respeito na interação entre tarólogo e consulente, o que será feito dali por diante não nos diz respeito. Uma vez a mensagem analisada, interpretada, decodificada, transmitida e compreendida, o próximo passo não nos compete  participar e palpitar. E se não é possível entender essa dinâmica, então, repense seu trabalho e o que deseja fazer com o Tarô.

Entender o Tarô é entender a vida. Querer viver a vida no lugar do outro não facilitará seu crescimento como profissional e nem o direito que o outro tem de seguir o próprio caminho.

Abraço 🙂

Kelma Mazziero

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Das dificuldades insolúveis

Obstáculos fazem parte da vida e todos nós estamos cientes (ou quase todos nós). Mas você já se deu conta de que a maior parte desses problemas pode solicitar soluções simples? Pois é,  grande parte das vezes é assim. Vamos lá, do começo.

Meu trabalho é mexer em problema, falar de problema, tentar entender problema e encontrar  (junto do cliente) uma solução. Isso me ajuda a ter uma experiência acima da média nesse assunto e permite estudar sem medo cada pedaço dessa problemática toda. Por isso costumo afirmar que sim, a maior parte dos problemas, tem solução simples. Mas por que então a gente apenas não resolve?

Aí é que mora o detalhe que faz toda a diferença. A gente não resolve porque a solução apontada não é do nosso agrado na maior parte das vezes. A gente quer, na verdade, resolver os problemas todos, mas não DAQUELE jeito. Ou seja,  há solução, sabemos que ela está lá e é simples. Mas a gente não quer, não gosta e não aceita que seja daquele jeito. Sabemos e conhecemos o fim da história, mas normalmente o repudiamos.

Algumas vezes por orgulho, outras por vaidade, outras ainda por medo. Pode pesquisar e testar. Você vai ver que a solução está lá, o duro é aceitar e colocar em prática sem esbarrar no ego. Pedir desculpas, falar abertamente, perguntar o que incomoda o outro, se deslocar até a pessoa e esclarecer tudo com calma, se afastar quando necessário, deixar a picuinha pra lá, pedir desculpas (de novo porque essa é a mais recorrente), pedir por favor, questionar ou se expor. Muitos dos problemas giram em torno de simples soluções. Mas a efetivação  dessas atitudes são outros quinhentos.

Fazer é difícil. Torna o simples algo quase impossível, a ponto de querermos um milagre que indique outra saída que não aquela maldita que nos coloca numa posição infernal de desvantagem. Conscientes de que, de fato, grande parte dos problemas surge com a devida solução mas nem sempre é possível transcender o umbigo para chegar logo ali, ficamos conscientes também de que é mais cômodo a gente achar que o obstáculo não oferece alternativa a dominar um orgulho ferido e fazer o que precisa ser feito. Tudo se resume em assumir que a solução existente não agrada e não é nada fácil de ser executada.

Para ir direto ao ponto é preciso colocar em prática uma característica rara: a resignação. Característica essa muito mal vista e criticada nos dias de hoje, pois requer amadurecimento e realismo, elementos que não “vendem bem”. Numa época em que ser resignado é feio, onde perder é fracassar, onde aceitar algumas coisas é sinal de fraqueza e mostrar humildade é se abrir à humilhação,  notamos que estamos longe de usar nossos erros como aprendizado já que resistimos bravamente em praticar a realidade. Realidade essa que pode ser simples, mas da qual a gente não gosta nem um pouco.

Pratiquemos 🙂

Kelma Mazziero

#simplifique

 

A gente não quer só verdade

É possível que um novo visitante ou cliente leia alguns dos textos desse blog e ache uma afronta pessoal, afinal, escrevo bastante sobre conduta em atendimento. Pessoalmente, prefiro ver como um FAQ, um punhado de textos com perguntas e respostas que acontecem frequentemente durante as leituras,  que pode facilitar o preparo da consulta ou o momento que a antecede.

Ao longo de mais de 20 anos jogando o Tarô posso afirmar que a verdade não é a melhor amiga do homem. E não vejo mal algum nisso para ser bem franca. Não vejo mal algum pelo simples fato de que a realidade pode ser amarga ou isenta de cores nos momentos em que mais precisamos de vitalidade. Ou seja, a ilusão se torna necessidade quando aquilo que se vive na prática não está de acordo com o merecimento e as expectativas. Fica fácil pregar por aí que “não ter expectativas é a melhor solução” ou que “a verdade sempre liberta”. Claro, fica fácil quando a vida está sob controle e não tem aquela coisinha maldita doendo o tempo todo, silenciosa, atrapalhando o passado, o presente e o enevoando o futuro.

Esse medo da verdade é o que chamo de desafio da vida madura. Já vivi e presenciei outras pessoas nesses momentos que são tipicamente testes de sobrevivência e superação adulta. Aquelas escolhas que fazem uma tríade com a coragem e o conflito (ainda falarei sobre isso aqui); aquela necessidade de jogar toda a responsabilidade nas costas de outra pessoa para se sentir menos pesado; além  dessa situação à qual me refiro agora, que é a linha tênue entre ilusão e verdade. Sei que preciso da verdade, mas adoraria viver a ilusão. Repito que isso é normal e até saudável. A realidade o tempo todo tira o brilho e as cores da vida. Porém, buscar aconselhamento quando a vontade de ser iludido está maior que a de ouvir a verdade pode ser um tiro no pé.

Não basta dizer para o tarólogo que você quer ouvir a verdade ainda que ela doa. É preciso que você esteja realmente apto ou pronto para isso. Confiar no profissional a ponto de ouvir dele algo totalmente inesperado, doloroso ou angustiante é um gesto de entrega sem igual. Não é à toa que o bom tarólogo respeita seus clientes como respeita seus mestres. Porque cliente preparado se entrega e só quem está ali vendo todo o momento e a circunstância sabe o quanto isso demanda maturidade e fé. Da mesma forma que a escolha implica em conflito e requer coragem (a tríade que mencionei acima), a verdade requer um passo para a maturidade usando da fé inabalável. Seria a representação da Justiça, que atesta a realidade, com a busca do Eremita na maturidade e a fé da Estrela que suporta o inexplicável.

Para tirar proveito de uma consulta é preciso que haja entrega e para se entregar é essencial ter confiança. A inflexibilidade de lidar com respostas realistas esperando que aconteçam milagres é o sinal de que você precisa, antes de querer a verdade, estar pronto para ela. Sem medo, sem defesa arrogante, sem impulsividade, apenas consciente de que escolheu a pessoa certa para te orientar e te esclarecer no que for preciso usando da empatia e do respeito.

É por isso que a busca da verdade não deve ser um rompante ou uma bandeira. A busca da verdade requer consciência do degrau em que se encontra para que essa mesma verdade não se torne sua maior inimiga.

Grande abraço a todos 🙂

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O  S.O.S  do Tarô

Existe uma situação que atravessa a vida do tarólogo em algum momento de sua trajetória. Às vezes acontece mais de uma vez e com frequência, aliás. São as urgências nos atendimentos. Aqui chamo de S.O.S., mas cada um lida com essa questão de uma maneira diferente, apelidando como prefere. Eu chamo assim porque é aquele pedido de socorro que te pega no meio do mercado, da faxina, do compromisso ou até de outro atendimento.

É claro que incomoda, porque a gente sabe bem que as pessoas que estão em meio ao caos, dificilmente conseguirão perceber as circunstâncias quando solicitam consulta imediatamente. Ou seja, a pessoa desesperada, em dor ou sofrimento, raramente consegue notar que aquele que a ajudará não pode e nem sempre estará disponível naquele exato momento. Dor é dor, não dá para pensar muito antes de gritar, sabemos disso.

A questão é, tirando esse primeiro momento em que um precisa e o outro não pode (ou não consegue), existem outros detalhes que devem ser considerados. Um deles, pelo menos que acontece comigo, é que atender alguém no desespero serve para pouca coisa. Normalmente as cartas que saem não ajudam em absolutamente nada. Torre para quem acaba de sofrer um choque, Pendurado para quem está sem saída, 2 de Espadas para a crise, Enamorados para as eternas indecisões. Ou seja, as cartas só radiografam o que o cliente já sabe. Dá um alento, mas não resolve muita coisa. Outro ponto é a dificuldade de comunicação. Quando se está desesperado ou sofrendo é difícil ouvir o que não quer e isso piora muito porque a pessoa vai tentar perguntar a mesma coisa mil vezes, esperando ouvir resposta diferente e…não vai acontecer. E por último, o estado de espírito. Quem está machucado não tem noção do quanto pode machucar os outros porque está sem discernimento. Por isso, a consulta fica difícil, lenta, arrastada e às vezes desrespeitosa com frases : “O que você quer dizer com isso?”; “Não, não, não, você não sabe o que está dizendo”; “Ué, mas se for para ouvir isso então nem preciso jogar”. Uma vez machucado, machucar o outro é mais fácil do que se imagina.

Percebe como não é produtivo gritar na hora do desespero? Pedir ajuda, sim. Contratar um serviço, não. Especialmente porque quem perde com isso, normalmente, é o cliente. O estado emocional afeta a consulta, a interação e a dinâmica, além de poder atribular também o resultado e o entendimento. Para análises interpretativas e compreensão é importante que você considere os valores, agende com antecedência e se prepare para isso, afinal, não se trata de proceder como se fora um Pronto Atendimento hospitalar. Quando temos algum desconforto e não é emergencial, buscamos os consultórios médicos, agendamos a consulta e vamos preparados para ela. No hospital vamos quando é algo realmente urgente e inesperado. Nos casos do Tarô essa segunda alternativa não se aplica, pois tanto para entender seu momento quanto para lidar com problemas intensos é fundamental o preparo. Pensar nas questões, analisar os objetivos e escolher quem poderá fazer isso para você, tudo isso faz diferença para obter aconselhamento apropriado.

Na hora da correria e do desespero é comum aceitar qualquer valor, qualquer condição e até determinar tempo, porque a gente sempre acha que o problema é rapidinho, é só “sim ou não”. Mas não, não funciona assim, e nem o problema deveria ser tratado dessa forma. Junte-se a isso a sensibilidade normal de estar abalado (a) e a chance de não conseguir o que precisa aumenta muito. O cliente que não aceita os procedimentos de agendamento sugeridos pelo tarólogo acaba indicando que não está disposto a mudar coisa alguma, inviabilizando assim qualquer conselho que poderia ouvir durante a análise. Se não houver condição de respeitar a agenda, como será ouvir algo delicado durante o atendimento?

Sua vida espiritual, suas emoções e seus dilemas pessoais merecem atenção. E você deve, precisa, estar em condições para compreender e elaborar tudo o que será analisado. Evitar o ato “desesperado” é uma forma de entender que a ajuda será necessária, mas nem por isso, precisa acontecer às pressas ou às avessas. Respeite a si e ao seu momento buscando também seguir o processo que envolve uma consulta de orientação. Para o tarólogo será uma consulta, e se for um bom profissional, ele fará o possível para te ajudar. Muitas vezes o profissional muda a própria rotina, os próprios compromissos e sua agenda para te atender, pois ele sabe como uma pessoa fica quando está nervosa, angustiada ou ansiosa. Porém, grande parte das vezes, o cliente que está assim desmarca, cancela, fura o compromisso e quando aparece está sem condições de entender o que surge no jogo podendo vivenciar tudo aquilo que descrevi nesse mesmo texto,  acima, tornando algo precioso em algo sem função ou sem sentido. Culpa do cliente? Não. Culpa do tarólogo? Não. Culpa de ninguém. Mas sem dúvida algo que pode ser evitado e repensado.

E o mais importante é o objetivo desse texto. Não é para te criticar, para reclamar de quem pede ajuda em desespero e nem para delimitar coisa alguma. É esclarecer. Fazer aquilo que não dá para fazer quando a consulta ocorre às pressas. Porque, acredite, o bom tarólogo sabe como você está se sentindo e é treinado para lidar com isso. Mas ele sabe também que se todo o processo de agendamento e preparo forem respeitados, tudo poderá suceder muito melhor e com maior produtividade. Estamos aqui para te ajudar, não para te iludir 😉

Abraço

Kelma Mazziero

Tarô

 

Com quantas cartas se faz um bom jogo?

O meu laboratório de trabalho é a prática profissional. Aprendo jogando, entendo enquanto observo, absorvo enquanto analiso. Por isso costumo defender a prática oracular. Muita gente diz que não precisa jogar Tarô para saber Tarô. Eu não concordo com isso, acho que a prática permite a aquisição de habilidade tanto para entender melhor a simbologia (e sua aplicação), quanto para manter o estudo em dia.

Como taróloga, na prática da consulta encaro algumas situações repetitivas. Uma delas é a necessidade que o consulente tem de entender o que faço, como faço e quais as “garantias” de minhas respostas. Com o tempo alguns aceitam que garantias não existem, que faço o que faço com dedicação e que minha prática é muito mais analítica que preditiva. Mas algumas questões não somem com o tempo. E a mais comum é me perguntarem durante a leitura: “Você vai virar mais cartas ou só com essas já vê o que precisa?”.

Quando se trata de cliente novo tento ser didática, pois sei que faz parte da fase em que a racionalização do processo poderá ajudá-lo a entender o que eu digo e acreditar naquilo. Para clientes já conhecidos raramente consigo controlar alguma piada para quebrar o gelo, afinal de contas, se número de cartas garantisse adivinhação, deveríamos trabalhar com progressão geométrica, assim possibilidades se multiplicariam conforme novas cartas fossem associadas.

O fato é que o número de cartas num jogo muda pouco, infelizmente. Digo infelizmente porque se houvesse uma fórmula mágica que garantisse que, virando mais uma cartinha, eu obteria a resposta sem dúvida alguma… adotaria a prática cotidianamente. Porém, não é assim. Tarô deixa espaço de liberdade de ação, então, não adianta virar as 78 cartas que a resposta ainda estará em sua mão quando for preciso dar um novo passo, mudar ou decidir qualquer coisa.

Se o tarólogo joga a tão famosa Mandala, a Cruz Celta ou o jogo de 3 cartas não faz diferença. O que importa é você confiar no tarólogo e ele estar confiante para fazer seu jogo. Não resolve pedir mais uma carta para tirar a milésima dúvida ou forçar mais respostas, não muda nada fazer 5 jogos numa única leitura. Conheço profissionais gabaritados que fazem jogos de 3 cartas do começo ao fim e são excelentes. Assim como conheço outros profissionais, igualmente gabaritados, que usam as 78 cartas e também trabalham lindamente. Não é o número de cartas que vai tornar sua vida mais amena, é sua maneira de traduzir e adaptar a leitura que fará toda a diferença.

Acredite que a forma como uma consulta é feita não mudará o que será lido ou dito naquele momento. Se há um ponto de chegada – o entendimento – a forma como se alcançará esse ponto é indiferente. Assim como para chegar numa cachoeira algumas pessoas vão a pé, outras de bicicleta, outras de motos e outras ainda de Jeep, na consulta o objetivo deve ser alcançado independente da quantidade de cartas selecionadas. A cachoeira não estará mais bonita e nem mudará de lugar conforme sua maneira de ir até ela. Estar acompanhado da pessoa certa, sim, fará diferença para conseguir concluir sua trilha.

Esqueça um pouco as parafernálias todas que se prometem hoje em dia. Isso vale para tudo, aliás. Mantenha sua atenção e seu foco na confiança entre você e o profissional de sua escolha, não compare consultas pelo número de cartas ou jogos realizados, nem tente dar um Google em algumas das cartas citadas para ver se acha “alguma coisinha a mais”. Livre-se da sensação de ser uma pessoa irrelevante ao achar que o que foi feito por você poderia ter sido melhor ou que o profissional selecionado não tem condições de te ajudar. Você é e sempre será a figura mais importante numa leitura de Tarô, e isso por si só impede esquecimentos ou desinteresse por parte do tarólogo. Se com 1 carta aquela pessoa consegue clarear seu caminho, o objetivo foi alcançado. Trate seu processo pessoal como único, indivisível e intransferível, para que tudo faça sentido dentro de sua realidade e não precise ser comparado a outro para ser mais ou menos importante.

O que vale não é o jogo, o método, o número de minutos ou de cartas usados. O que importa de fato é você enxergar seu caminho e dentro dele recuperar seu poder pessoal para agir, decidir, escolher e mudar o que for necessário.

Abraço a todos 😉

-Trate seu processo pessoal como único, indivisível e intransferível, para que tudo faça sentido e não precise ser comparado a outro para ser mais ou menos importante.O que vale é você enxergar seu caminho e recuperar s

 

 

O uso das cartas como referência sentimental

Atender e realizar consultas é como um laboratório, pois a partir da interação com o (a) cliente é possível ver nas cartas, a situação que ele (a) descreve. Ou seja, enquanto explicamos o que surgiu num jogo a própria pessoa “localiza” em sua vida os aspectos que estão ali. Carta e vivência se entrelaçam perfeitamente. Uma sintonia fina que acontece nas consultas onde há boa dinâmica.

Em minha prática pesquiso bastante os temas afetivos. Esses assuntos costumam ser recorrentes, então, consigo estudá-los e ver fluir facilmente ao longo dos atendimentos. Debato, pergunto, questiono e trabalho em parceria com quem atendo. Não significa que “use clientes como cobaia”, mas sim, que posso encontrar um diálogo entre o Tarô e a vida enquanto dialogo durante o trabalho de leitura.

Minha pesquisa mais recente começou quando me deparei com um chavão dito e reforçado em diversas redes sociais : “Procuramos um (a) parceiro (a) que seja semelhante à nós mesmos, mas são os opostos que se atraem”. Esse chavão pode, inclusive, ser dividido em duas partes. A primeira seria sobre quem busca alguém igual a si mesmo, a segunda é para quem busca alguém absolutamente diferente. Em ambos os casos noto que há idealização, mas não há veracidade. Quer dizer, mesmo que alguém saiba o que está procurando em outro alguém, a chance de se interessar pelo modelo pré-fabricado é minúscula. Essa é a realidade. Antes de tudo porque o ser humano não consegue escolher quem vai amar, tanto que nem sempre consegue deixar de amar ainda que saiba que deve e que precisa fazê-lo. Imagine, então, escolher de quem gostará seguindo uma lista de itens, dentre eles, especialmente as diferenças e/ou semelhanças.

O que entendi é que o ser humano ama quem preenche sua necessidade. Seja ela financeira, profissional, familiar, afetiva ou vaidosa. Pode parecer frio e insensível de minha parte, mas as análises batem, pode acreditar. Vou dar alguns exemplos que sirvam tanto para os profissionais do Tarô quanto aos clientes, pois a ideia é que aqui as pessoas se identifiquem de algum modo. O primeiro exemplo é a relação que começa quando uma das partes precisa “salvar” a outra. Aqui temos, por exemplo, um homem que sempre se apaixona por mulheres-problema. É um padrão. Ele sabe que é interessante, que é um “partidão”, mas nunca consegue gostar da “boa moça”. Ele costuma preferir e se encantar por aquelas trabalhosas, difíceis, fechadas, complexas, problemáticas ou traumatizadas. No Tarô podemos citar a carta do Carro aliada à carta da Papisa. O Carro em seu heroísmo, que tenta salvar e se atirar em relações com Papisas traumáticas, fechadas, extremamente sensíveis, misteriosas, indisponíveis. Quanto mais difícil é a Papisa, mais encantado fica o Carro. Essa mesma Papisa pode encantar os Imperadores também. Aqueles homens que gostam de proteger e tomar posse de suas mulheres, tendem a se encantar por Papisas, já que elas tornam tudo mais difícil e -consequentemente- saboroso para os dominantes. Podemos inverter os gêneros também e notar muitas vezes a mulher mais ativa, assumindo o papel do Carro (ou do Imperador) sempre atraída pelo homem sensível, problemático e fechado (homem Papisa). Um busca no outro sua afirmação. A busca pela conquista ultrapassa a prática da reciprocidade.

Outro exemplo: as mulheres que são atraídas pelos tipos imaturos. Aqui temos a Imperatriz, maternal, que acaba cuidando de seu amor como cuidaria de um filho. Ele, seu amor, normalmente tende a ser imaturo e impulsivo como o Mago. Temos nessa dinâmica os eternos ioiôs afetivos, com mulheres afirmando que o que seus amados precisam mesmo é de colo ainda que eles jamais amadureçam e elas interpretem essa infantilidade como medo do amor verdadeiro. Temos exemplo também naquele homem arredio, frio e distante (como a carta da Justiça) que se sente atraído por mulheres provedoras e articuladas (como a carta do Diabo). Existe também o homem que gosta de brilhar sendo sempre o centro das atenções, que ama mulheres submissas e que abrem mão da própria vida, para que ele possa ser o único foco da vida a dois (O Sol envolvido com o Pendurado ou com uma deslumbrada Estrela). Note que não existe “opostos complementares” ou “semelhanças inconfundíveis” nesses exemplos. Normalmente se tratam de relações onde a necessidade de um é saciada no outro. E isso não garante relacionamento de sucesso, muito pelo contrário, tendem a ser relacionamentos desequilibrados. Por uma simples razão: para um estar feliz, necessariamente, o outro precisa perder. Seja perdendo sua autoestima, sua carreira, sua naturalidade, sua perspectiva de evoluir ou sua própria independência. Se mudar a dinâmica, acaba a paixão, a chama se apaga. Morre a tal da química.

Essas relações se tornam grandes armadilhas porque ambas as pessoas envolvidas não podem crescer. Se uma das partes se livra do fardo de diminuir o outro (ou diminuir a si própria) é possível que o interesse cesse ou que a relação corra riscos. Por isso é importante entender a interação e a dinâmica de um casal para que se possa direcioná-la da melhor maneira. O segredo não é continuar num envolvimento enclausurante para sempre, mas sim, encontrar uma forma de se libertar das necessidades que são saciadas no outro. O diálogo, a percepção, a admissão são os primeiros passos. Em muitos casos é preciso terapia, aconselhamento psicológico, acompanhamento clínico. Nada disso é insuperável, ao contrário, relação é um processo que pede desafios e superações. O problema é continuar na relação viciosa ou sair dela sem entender o que realmente acontecia, pois é provável que esse padrão se repita na próxima relação. É essencial se perguntar qual é o tipo de pessoa que sempre te atrai, se há uma semelhança entre todas as pessoas pelas quais se interessou e, encontrando essa semelhança, o que essa pessoa desperta em você, qual a sua necessidade que poderia ser saciada na conduta da criatura amada. O ponto de conscientização está em compreender que ninguém está nesse mundo para suprir sua necessidade, mas sim, para crescer e amadurecer a seu lado sem correr o risco de perder algo valioso no exato momento em que resolver ser uma pessoa melhor.

Como costumo sempre dizer aos conhecidos: o problema não é ver quem se ama sofrer. O problema de fato se dá quando vemos feliz a quem amamos, pois nesse momento, descobrimos dentro de nós alguém que não sabe o que fazer com a possibilidade de conviver com a pessoa amada sendo ela mesma.

Um forte abraço!

Kelma Mazziero

Amar

 

O Tarô na teoria e o Tarô na prática

Um cliente me procura para analisar sua vida amorosa.
Agendamos, confirmamos e nos encontramos online conforme combinado. Gosto de fazer tudo, desde o agendamento até os ajustes financeiros e encaminhamento, porque assim a relação se dá desde o começo. Enfim começamos a consulta.

Ele me dá um panorama da situação para eu definir um bom método de jogo. Durante a consulta as perguntas giram em torno de um mesmo foco: a parceira. Meu cliente se preocupa mais com ela do que consigo mesmo, isso costuma acontecer quando a situação está em fase crítica. Noto que as questões são típicas de quem tem uma relação, contudo, nessa relação não há intimidade entre ambos, pois não há espaço para que se comuniquem. E ele segue angustiado:

– Ela sabe o que sinto? Ela percebe que me magoa fazendo isso? O que ela quer de mim? O que ela sente de verdade? Posso acreditar no que ela me diz?

Aqui, interrompo a avalanche de perguntas e digo:

– Opa, espera lá! Essas questões deveriam já ter uma resposta e quem deve respondê-las é sua parceira. Não eu.
– Mas você não “vê aí”?
– Posso até ver. Só que temos uma questão mais complexa nessa situação toda. Se você precisa perguntar coisas para mim que deveria perguntar a ela, achamos o motivo pelo qual não há conexão entre vocês. A fraca cumplicidade e a pouca intimidade te obrigam a procurar fora da relação as respostas que estão ali dentro mesmo. Se eu fosse um robô, poderia simplesmente “ler o que está na carta”. Mas sou um ser humano e vejo, nitidamente, que seu medo de perder quem ama o está afastando ainda mais do que deveria enfrentar. Explico e analiso a situação, o momento, você, a outra pessoa e a relação. Mas a intimidade deve ser cuidada exclusivamente por vocês dois. A comunicação é a chave de qualquer relação.

É preciso saber onde se quer chegar para enxergar o caminho correto que nos leva à realização. Fugir da parte difícil durante a jornada não é uma solução. O Tarô facilita a compreensão, mas não remove as pedras do caminho em seu lugar.

Nota: Caso queira receber avisos de eventos, promoções ou novidades clique abaixo, no botão “Inscreva-se”, assim receberá em seu e-mail minha mala direta (prometo que não envio todo dia e nem vou lotar sua caixa postal de propagandas!).

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