Tarologar

Que tarô você joga?

Qualquer um, ainda que isso possa soar arrogante de minha parte. Mas não é arrogância, é comprometimento e respeito com quem atendo.  Também não é marketing, é sim responsabilidade.

Nas últimas duas décadas o tarô cresceu muito no Brasil, tanto na teoria quanto na prática. Saímos da obscuridade para um movimento em direção à pesquisa e à atualização constante, podendo hoje qualquer pessoa acessar o básico sem precisar entrar para uma ordem hermética de magia ocultista. Grandes autores evoluíram em suas pesquisas e com isso os profissionais puderam melhorar muito em todos os sentidos. Claro, o Google colaborou horrores, não vamos desmerecer a internet nesse processo todo. Só não se atualizou quem não quis, só não mudou quem foi turrão.

Perguntas que antigamente eram comuns hoje não são mais, justamente porque as pessoas acessam informações e já procuram o tarô cientes do mínimo. Isso corroborou com minha teoria de que o conteúdo introdutório não deveria ser cobrado jamais, uma vez que todos deveriam ter acesso ao óbvio, facilitando o trabalho do tarólogo  além de permitir mais conhecimento a todos. Chegamos, então, numa época onde é muito raro usar tempo de aula ou de consulta explicando o que é tarô, qual sua finalidade ou mesmo esclarecendo que ele não veio do Egito e não precisa ser jogado apenas por ciganos dotados de vidência. Deslanchamos, finalmente.

Porém – e sempre tem um porém – algumas perguntas persistem. Elas persistem porque ainda que se tenha acesso às informações, em alguns assuntos se escolhe manter o clima misterioso. É usual a confusão entre espiritualidade e superstição, então, a prática com o tarô costuma se cercar de certas superstições. Tanto que até hoje tem quem me pergunte se é obrigatório fazer uma oração antes de jogar, se precisa tirar anéis e acessórios antes de pegar nas cartas ou se escolher cartas à distância é realmente como tocar as cartas pessoalmente. Superstições muitas vezes confundidas com reverência, daí meu papel em esclarecer o que for possível, ainda que eventualmente eu arrume problema e cause polêmica com isso.

Dentre as perguntas supersticiosas a mais frequente é sobre qual tarô eu jogo. E, quando o (a) cliente é simpático, normalmente eu respondo com outra pergunta:  “Faz diferença?”; ou ainda: “Por que, você tem algum que prefira que eu leia?”. Isso costuma bastar para a pessoa rir e perceber que o tarô que usado pouco importa. O que conta é a responsabilidade para fazer uma leitura. Trabalhar com o tarô envolve estudo e pesquisa constantes, como já mencionei antes, tanto que afora meus estudos normais ainda escrevo e produzo artigos científicos para apresentar em conferências acadêmicas anualmente.

Mas se tem uma coisa que não muda é a configuração das cartas. São 78 cartas, faça chuva faça sol. São 78 cartas, sejam colorias ou em sépia. São 78 cartas europeias, brasileiras ou norte americanas. Mas são sempre 78 cartas divididas em 22 arcanos maiores e 56 arcanos menores.

Se vou analisar uma configuração com cartas douradas ou vermelhas, vai mudar para o cliente apenas no que se refere à experiência visual. Sim, a experiência visual conta, afinal tarô trata de linguagem imagética. Mas isso não altera o que eu direi à pessoa. O que acontece durante a leitura é uma conexão de informações que se dá através de análise e interpretação. Processo racional que não está ligado ao fato de uma carta me abrir um portal xis ou ypsilon. Uma sessão de terapia não vai mudar por conta da cor da poltrona que o psicólogo usa, acredite.

O acesso à informação aumentou, os estudos de tarô avançaram, mas ainda é preciso critério para que não se caia em armadilhas da ingenuidade. O tarô não vai funcionar mais ou menos se eu colocar uma maçã na mesa da consulta, minha leitura não será melhor se eu usar um jogo de cartas que custe uma fortuna, um turbante não garante cem por cento de acerto nas análises. Carregar uma consulta de superstição é calcar o medo em ilusões ingênuas. O caminho, portanto, é e sempre foi o esclarecimento tanto nas informações sobre tarô quanto em sua própria consulta. A experiência mística não reside na forma como alguém pratica algo, mas sim, na sua capacidade de se entregar à clareza de uma orientação bem feita.

Boa consulta para você 😉

Kelma Mazziero

 

 

 

Respostas objetivas para perguntas subjetivas

Se tarô não é psicanálise por que a consulta tem tantos requisitos? Se não é preciso se concentrar ou ter visões para ler tarô por que eu preciso agendar a consulta? Se eu tiver um problema urgente por que não posso ser atendido (a) na hora? Se não é consulta médica, por que tem uma duração? Se não é uma prática preditiva por que deveria me consultar? Por que tem tarólogo que joga só um jogo e usa poucas cartas? Se é um dom por que eu devo pagar pela consulta? Por que profissionais cobram valores distintos? Se demanda confiança por que preciso pagar antecipadamente? Afinal, por que e para quê tantas regras?

Vou responder uma a uma dessas questões.Nem sempre me são feitas diretamente, mas ficam evidentes na conduta de muitos clientes e deixam vestígios no comportamento da maioria.

Tarô não é psicanálise e nem deve ser, cada um tem sua função, tanto que é possível fazer análise e se consultar com o tarô. Os requisitos seguem as prioridades que o profissional determina e em sua maioria carregam um sentido que preserva tanto o cliente/consulente quando o tarólogo. Se a prática é profissional deve seguir uma metodologia e ter requisitos mínimos para que haja ali um vínculo profissional e não informal. Os requisitos criam um vínculo seguro para ambos os envolvidos.

O agendamento deve acontecer porque é importante perceber o tarólogo como seu semelhante e não como um guru ou alguém super poderoso que não tem vida pessoal. O tarólogo precisa dormir, se alimentar, normalmente tem família e compromissos pessoais, vai ao médico, ao dentista. Nem sempre o tarólogo está desocupado e disponível para atender imediatamente. Ademais o agendamento é uma forma de criar um compromisso, tanto seu quanto do profissional para com você. Agendar é se comprometer, se preparar para a consulta, reservar aquele tempo especialmente para aquilo. O tarô não se joga na correria e no desespero, mas como um momento de auto avaliação e compreensão que deve ser tratado com respeito, foco e dedicação.

Se você tiver um problema urgente e quiser ser atendido (a) na hora corre o risco de não encontrar espaço na agenda do profissional. E veja bem, isso não é descaso com seu problema, mas envolve os itens descritos acima. O profissional também tem compromissos e é importante que haja um preparo para essa consulta não ser corrida, enviesada. O tarô não é ferramenta para apagar incêndio e nem para oferecer respostas alimentadas por ansiedade, então, o SOS muitas vezes se vira contra quem acredita estar encontrando respostas imediatas para seus anseios. Pouco há o que ser feito em situações emergenciais. Prefira se concentrar na emergência para depois analisar o que for preciso em consulta devidamente agendada, onde será bem atendido (a) e terá mais elementos à mão para avaliar e encontrar caminhos. No desespero o tarô vai mostrar desespero, não solução.

Sobre a duração da consulta já escrevi algumas vezes, mas vale reforçar aqui. O essencial de uma consulta é abordado com a devida atenção e por isso o tempo costuma ser suficiente para isso. Usar mais tempo de consulta para “aproveitar o dinheiro investido” ou tentar consultar a família inteira numa única leitura é desfocar do seu propósito original e misturar assuntos menos importantes com outros extremamente relevantes. Espremer o tarólogo até ouvir o que deseja também não funciona. O profissional até pode dizer o que você deseja ouvir, mas isso não significa que seu desejo vá acontecer. Respeite o valor da consulta, o tempo de duração e a abordagem do profissional. Trabalhe em parceria com quem te atende.

Quanto à predição e à vidência é importante ressaltar que você deve saber o que busca antes de se consultar. Por exemplo, se você tem dor nos joelhos vai procurar um ortopedista ou um cardiologista? Sendo assim, se você quer perguntar sobre futuro distante, se quer respostas cheias de magia e mistério, se quer um ambiente místico e roupas a caráter, deve verificar antes se o tarólogo escolhido tem essa abordagem. Muitas vezes o que o consulente precisa é de um mapa astral, não de consulta de tarô. Outras vezes a pessoa quer vivenciar a experiência da vidência e deve se certificar se o tarólogo escolhido usa essa abordagem. Se você quer analisar possibilidades, entender o momento, se conscientizar de qualquer coisa (que seja relacionamento, trabalho, finanças) também deve procurar um profissional que fale sua língua. Veja primeiro o que busca para então achar o profissional certo.

Quanto aos jogos e número de cartas é simples. Um bom tarólogo consegue analisar uma única carta com riqueza de detalhes podendo te situar facilmente na questão ou mesmo dar informações importantes que te ajudem a entender muitas coisas ao seu redor. Isso tudo com uma-única-carta. Não pense que jogar as 78 cartas faz o tarólogo melhor ou mais experiente. Não pense também que jogar 5 jogos para a mesma questão irá mudar seu problema ou rever a resposta já vista. Confie no profissional que te atende, esqueça o número de cartas, o jogo, a quantidade de métodos. Afinal, você discute com o médico o número de comprimidos que deve tomar ao dia? Se sim, reveja sua relação com a autoridade, talvez você esteja apenas buscando alguém que concorde com você e não esteja preparado (a) para se entregar a uma orientação externa.

A questão da cobrança também é simples, só complica esse tema quem gosta de rebuscar a simplicidade. Alguns profissionais são videntes e nasceram com esse dom, sim. Isso não significa que eles não invistam em seus talentos, não significa que não tenham contas para pagar e que não se desgastem nessa função. Portanto, naturalmente, tem um valor e o valor que impera entre os seres humanos é o valor monetário. Sem isso não vivemos, simples assim. Além disso, o profissional que não tem o tão falado dom (meu caso, por exemplo) também estuda, se dedica, se desgasta, investe bastante. Se não fosse nenhuma dessas razões, teria outro motivo simples também: é trabalho, não um hobby. Claro que tem um valor. Se você quiser algo sem custo busque instituições que ofereçam práticas gratuitas. Mas antes de fazer isso te oriento a repensar qual é sua relação com a espiritualidade e por que você acha que deveria receber orientações e se beneficiar com o trabalho de terceiros sem ter qualquer tipo de troca ou remuneração. Talvez seja hora de rever sua posição no mundo, na vida e rever a forma como enxerga o papel de outras pessoas em seu caminho.

Profissionais cobram valores distintos porque não existe uma tabela que determine um piso a ser cobrado. Muitas coisas são levadas em consideração, como a cidade onde o profissional atende, a região, o que é oferecido em consulta, o tempo de duração, dentre outras razões. Cada um tem sua metodologia e regras, portanto, usar um profissional para ser comparado ao outro pode ser totalmente ineficaz. E não se esqueça: não é porque alguém cobra menos que não sabe jogar direito (ou que vai se adequar à abordagem que você procura); e não é porque alguém cobra super caro que joga super bem. Não escolha pelo preço, escolha pela proposta. Caso seu único problema seja a questão financeira em relação ao profissional escolhido pode ser um bom momento para rever a forma como enxerga prestadores de serviços e como lida com a valorização de pessoas e propostas.

O pagamento antecipado acontece porque é uma forma de reforçar o compromisso que foi firmado no agendamento. É você investindo em algo importante para si e dando um voto de confiança ao profissional. Por isso, é uma prática que preserva a ambos: mostra sua intenção e comprometimento com o profissional e garante que o profissional também esteja comprometido com você, com seu horário ou sua demanda. Sem mencionar a quantidade de pessoas que tentam atrasar pagamentos ou sair “ganhando” em relações comerciais. O pensamento-cartão-de-crédito (primeiro usufruo, depois pago) quando se trata da própria vida não é salutar. Se deseja seriedade para tratar sua vida, aja com seriedade e tudo fará mais sentido.

Finalmente, para quê tantas regras? Então, não são “tantas regras”, são requisitos importantes para garantir uma experiência positiva para você e um desenvolvimento favorável do trabalho a ser oferecido. Assim como toda relação comercial a consulta de tarô segue os mesmos preceitos. Ainda que seus problemas sejam seríssimos é importante que haja comprometimento, responsabilidade, troca, entendimento, empatia. Caso contrário você só estenderá seu desequilíbrio interior para alguém que mal conhece ou que deveria te ajudar (e não ser atingido pelos seus problemas). “No final do jogo, o rei e o peão seguem de volta para a mesma caixa”. A igualdade no tratamento garantem um vínculo maduro.

Se você quer ser tratado (a) com respeito, trate os outros com respeito. Se quer seriedade, aja com seriedade. Se precisa de ajuda, contrate alguém capaz para isso. Acima de tudo a relação entre cliente e tarólogo deve ter confiança e responsabilidade porque reflete muito a maneira como esse cliente lida com a vida e a forma como esse tarólogo assume o próprio trabalho. Somos todos indivíduos e a base para qualquer vínculo deve ser a coerência, caso contrário, sua vida vira um commodity e meu trabalho vira um espetáculo nonsense de magia.

Informações e dúvidas: kelmamazziero@gmail.com

Abraço 🙂

Kelma

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Por que a consulta ao Tarô precisa de um tempo de duração?

As teorias para essa questão são inúmeras, que vão desde as mais políticas até as mais diretas. Alguns defendem o fato de que a leitura flui melhor se for direto ao ponto. Outros afirmam que tempo é dinheiro. Outros, ainda, garantem que deve seguir um tempo semelhante ao da terapia enquanto tem aqueles que acham que deve se cobrar por minuto. Seja isso ou aquilo a questão é que muitas vezes o cliente se ressente e reclama desse aspecto. Hoje em dia, aliás, reclamação para tudo é o que não falta. Por isso cheguei ao ponto de escrever a respeito torcendo para que aqueles que me conhecem ou que leem meus textos compreendam a finalidade dessa intenção.

A questão da duração de uma consulta pode ter mil explicações e saídas. Mas é essencial esclarecer que não perpassa apenas a questão de direitos/deveres e que, se for estabelecida uma duração, ela deverá certamente ter um motivo. Sendo assim, posso falar por mim e pela forma como atuo na profissão, que determino um tempo de duração porque sei que esse tempo é suficiente. Passar do tempo estabelecido é apenas querer espremer algo que já foi dito. Não funciona nem para o profissional e nem para o cliente porque o profissional se esgota (acredite, o profissional é um indivíduo e também sente fome, sono, cansaço) e o cliente não vai reter tanta informação em tanto tempo. É uma situação lógica: ouvir a mesma coisa de mil formas diferentes não vai mudar a mensagem e espremer o profissional não vai dar a sensação de que você “aproveitou mais” da consulta e do tarólogo. Essa conduta não é prática e nem empática. É claro que não precisa ter um relógio despertador que toca e no exato momento do toque desligamos e paramos tudo, mas esticar isso até o dobro do tempo é como querer dobrar o tempo de uma aula (só desgasta e não se aprende mais). Afora tudo isso, se você contratou aquele profissional deve seguir as coordenadas dele, caso contrário além de faltar respeito faltará também confiança. Acredite em quem você contratou e na proposta oferecida.

Minha visão sobre a interação em consulta é que é importante o cliente saber aquilo que irá avaliar ou o objetivo naquele trabalho. Não se trata de terapia, então, não há tempo hábil de questionar ou provar por 50 minutos que sou digna de confiança. Também não é um fast food onde se adivinha tudo correndo para se pagar menos. Se trata de criar uma relação empática e confiável com aquela pessoa que irá te auxiliar na compreensão de uma situação. O tempo e o formato o profissional define, uma vez que tem experiência para tal e é importante que se trace a meta para que o aproveitamento seja o melhor.

Reclamar, tentar mudar o formato ou esquema, questionar ou duvidar só mostram que talvez aquele não seja o profissional que você procura. Ou, ainda, pode ser que você não esteja num bom momento de se colocar nas mãos de alguém que irá te avaliar e analisar sua vida. Essa inclusive é uma das explicações pelas quais as indicações nem sempre funcionam bem. Não basta ter boa indicação ou pagar tarólogo famoso, é preciso que haja troca e entendimento além da identificação com a linguagem utilizada. Por isso, se o profissional determinou um tempo e tem um esquema de trabalho, respeite. Caso contrário, reveja sua escolha e busque alguém que esteja dentro de suas necessidades ou expectativas. E lembre-se sempre do mais importante: uma consulta de Tarô não é um produto que se compra num mercado, por isso, não use as mesmas regras porque a decepção no serviço estará garantida.

Grande abraço 🙂

Kelma Mazziero

Não entendo nada de Tarô!

Eis que escuto isso hoje, mais uma vez. Não saberia contar quantas vezes ouvi essa frase de pessoas que me conhecem (ou acabam de me conhecer) e se mostram interessadas por Tarô. Muitos vão procurar, dão um Google e… voilà! Encontram serviços que mesclam Tarô, runas, búzios, simpatias e promessas de devolver o dinheiro em caso de erro (?), ou acham textos elaborados que parecem um verdadeiro labirinto. Acho que entendo a sensação. Eu me sentia assim quando alguém dizia: “Sou Touro, ascendente Escorpião, Lua em Libra e meu Quiron está mal aspectado, fora o Júpiter em quadratura com a Lua”. Fazia cara de conteúdo, mas achava impossível entender aquilo. Claro, acabava achando chato. Daí minha afinidade com quem demonstra aquele desânimo de quem odeia matemática e está mediante uma equação + um rosto feliz que afirma que dessa vez será fácil entender o cálculo.

A questão é justamente essa. Saímos da simplicidade, fomos ao cúmulo da complexidade e agora se faz necessário o “Back to Basics” que Ivana Mihanovich , taróloga de mão cheia, propõe. Voltar ao básico, resgatar a naturalidade, transitar suavemente na própria intuição ou na curiosidade. Por isso é totalmente possível que você sinta uma preguiça enorme de aprender Tarô, ou se sinta deslocada (o) ao falar disso, ou talvez sinta medo de dizer que tem um baralho em casa (vai que alguém pergunta o que você acha sobre o elemento da Papisa). Falar difícil é legal quando a gente quer segregar e quando quer delimitar nosso bando, determinar quem anda com a gente e quem faz o mesmo que a gente. Um tipo de “amistoso” entre colegas. Porém, para quem busca informações, muitas vezes o que se encontra é a vidente que promete seu dinheiro de volta caso a mandinga não pegue ou um texto cheio de metáforas e símbolos que mais parece um filme russo. Sim, tem ótimos filmes russos, mas jamais levaria minha filha de 7 anos para ver Tarkovski no cinema. Questão de bom senso e de empatia.

A proposta do tema Tarologar é essa: falar de Tarô o mais próximo possível da vida real para que você ache esse mesmo Tarô em seu cotidiano e não precise ficar caçando elementos imaginários a fim de entender o que deveria ser algo acessível. A gente não aprende a ler com Shakespeare, mas sim, com O Patinho Feio (acredite, ambos possuem alusões sensacionais, cada uma a seu tempo e depois quando revistas ganham a devida tridimensionalidade). O ideal é poder facilitar o acesso sem que isso precise se tornar vulgar e fugir do tarologuês que acaba por segregar. Difícil à beça, mas extremamente urgente nos tempos atuais.

O Tarô pode servir para você, pode servir a qualquer pessoa. Se for como autoconhecimento, como espiritualidade, como distração, como espelho ou como trabalho tanto faz. O que importa nesse momento é que você acesse o meu universo e não apenas eu saiba como acessar o seu. Eu poderia me fechar em meu mundo simbólico e ali ficar, interagindo apenas com quem gosta da mesma coisa e fala a mesma língua, mas então não estaria cumprindo parte do papel que me comprometi a exercer, levando o que sei às pessoas com o intuito de desmistificar o Tarô na cultura social. Deixo aqui minha dica para você que acha Tarô legal, nunca viu ou já viu e nunca jogou ou já viu, já jogou, mas nunca se aprofundou: pense que as cartas foram desenhadas (e não escritas!) por uma razão. Essas cartas surgiram numa época onde muitas pessoas não tinham acesso à alfabetização, portanto, a imagem deveria ser rica em significados. Sendo assim, é um instrumento para toda e qualquer pessoa acessar. E se não te parecer fácil, não desista. Procure o caminho ou o profissional que fale sua língua, não tente inserir em sua vida algo que não faça sentido e pareça inacessível. Acredite que se sentir impotente ou inábil frente ao Tarô jamais deve ser uma regra, mas uma exceção. Boa sorte!

Kelma Mazziero

“Simplicidade não é simploriedade. O caminho do coração é simples. Aceite sua natureza e verá suas novos significados-

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